Publicado por: baptistasdecantanhede | 10 de Julho de 2011

ADONIRAM E ANN HASSELTINE JUDSON

UM PEDIDO AUDACIOSO

Pedido de casamento que Adoniram Judson encaminhou a John Hasseltine pedindo a mão da sua filha, Ann Hasseltine.

“Caro Sr. John Hasseltine. O senhor permitiria [casar-se com sua filha, sabendo que com isso estarás] se afastando dela na primavera para – quem sabe – nunca mais tornar a vê-la neste mundo?

Se concordares com a partida, saiba que ela estará sujeita ao rigor e ao sofrimento de uma vida missionária. O senhor me consentiria expô-la aos perigos do oceano, à influência fatal do clima do sul da Índia, a vários tipos de necessidades e dor, de degradação, abusos, perseguições e talvez de uma morte violenta?

Podes concordar com tudo isso em nome d’Aquele que deixou o Seu lar celestial e morreu por ela e por ti? Podes fazer isso pelo resgate de almas perdidas, por Sião e pela glória de Deus? Pode concordar com tudo isso, na esperança de encontrar sua filha na glória eterna, com a coroa da justiça e o brado de louvor ao Salvador pelos gentios salvos por ela da dor e do desespero eterno?”

Concepção artística de Ann Hasseltine observando a prisão do seu esposo Adoniram Judson

UMA VIDA DEDICADA AO SENHOR

A nação predominantemente budista da Birmânia, rebatizada de Mianmar, tem uma história sangrenta de missionários que entregaram as próprias vidas para compartilhar a mensagem de salvação de Jesus Cristo. Os primeiros Cristãos que lá estiveram eram armênios e chegaram à Birmânia em 1612. Em 1685 dois cristãos católicos fundaram um pequeno hospital e foram mortos quatro anos depois. As missões protestantes começaram em 1813, com a chegada do casal missionário baptista Adoniram e Ann Hasseltine Judson.

Obrigado pela British East Índia Company a deixar a Índia, os Judson rapidamente se estabeleceram na Birmânia, apesar de terem sido aconselhados por William Carey a não irem para lá. Todos os missionários anteriores acabaram mortos ou desistiram e foram embora. Mas os Judsons estavam determinados, e com as habilidades lingüísticas de Adoniram, se propuseram a traduzir a Bíblia para o idioma birmanês, tarefa concluída em 1834.

Os Judsons tinham mesmo que contar com a própria determinação, pois seu tempo na Birmânia não transcorreria sem sacrifícios. Eles não somente tiveram de lutar contra o calor de 40° C, doenças e misérias desconhecidas que tirariam a vida da primeira e da segunda esposa de Adoniram e de sete de seus treze filhos, mas o próprio Adoniram não voltaria mais a ver seus pais e o seu irmão. Além disso, só depois de seis anos de sua chegada à Birmânia eles conseguiram batizar seu primeiro convertido, Maung Nau.

Em 1823, Adoniram e Ann se mudaram de Rangun para a capital Ava, cerca de 500 quilômetros mais para o interior. Era um risco estar próximo do repressivo imperador. Em maio de 1824, a frota britânica chegou a Rangun e bombardeou o porto. Com isto, todos os ocidentais passaram a ser considerados espiões, e em junho, Adoniram foi arrancado de sua casa e jogado na prisão. Durante a noite, uma longa vara de bambu era passada pelas pernas amarradas dos prisioneiros e erguida até que somente seus ombros e cabeças estivessem em contato com o chão.

Durante o tempo em que esteve preso, um dos carcereiros perguntou a Adoniram, “Quão brilhantes são as perspectivas de sua missão agora, animal estrangeiro?”, ao que ele respondeu, “tão brilhantes quanto as promessas de Deus, meu amigo”.

Ann estava grávida, mas ainda assim andava quilômetros todos os dias até o palácio para argumentar que Judson não era espião e pedir a clemência do imperador. Até que um dia, ela conseguiu que a situação dele fosse aliviada. Mas os prisioneiros estavam com a cabeça infestada de insetos misturados com comida podre e tiveram que raspar o cabelo a zero. Quase um ano depois, Adoniram e os outros presos foram transferidos para a prisão de uma aldeia mais distante. Ele estava magro, com os olhos fundos, vestido de farrapos e enfraquecido pela tortura.

Sua filha, Maria, havia nascido e Ann estava quase tão magra e doente quanto Adoniram; mas ela ainda o seguia e cuidava dele o melhor que podia. Seu leite secou e o carcereiro teve pena deles e deixou que Adoniram fosse toda manhã à aldeia e pedisse que alguma mulher amamentasse a pequena Maria.

Em 4 de novembro de 1825, Judson foi posto em liberdade. O governo precisava dele como tradutor nas negociações com a Inglaterra. Ann estava muito doente e, onze meses mais tarde, morreu de uma combinação de várias doenças tropicais. Seis meses depois, Maria também morreu.

O RESULTADO DOS SEUS ESFORÇOS

Em 1831, aconteceu na Birmânia um grande despertar de interesse espiritual. Judson escreveu: “Há um espírito de busca se espalhando por todos os lugares, em todo o comprimento e largura desta terra”. Ele notou que haviam distribuído cerca de 10.000 panfletos, que foram entregues somente a quem os havia pedido. Alguns que vieram das fronteiras com o Reino do Sião (atual Tailândia) e a China disseram: “Senhor, nós ouvimos dizer que existe um Inferno eterno. Estamos com medo. Dê-nos os escritos que ensinam como escapar deste Inferno”. Outros perguntavam: “Senhor, nós vimos uns escritos que falam sobre um Deus eterno. És tu o homem que dá esses escritos? Se é o senhor, por favor, dê-nos um, pois queremos saber a verdade antes de morrer”.

Mais tarde, Judson veio a se casar com a viúva de um de seus colegas que havia dado a vida no trabalho do Senhor na Birmânia.

Quando Adoniram morreu, devido a doenças crônicas, havia mais de 7.000 cristãos e 163 missionários na Birmânia. Até o ano de 1900 a comunidade batista havia crescido para quase 100.000 crentes. As Igrejas Baptistas Birmanesas eram formadas basicamente pelos nativos da tribo Karen.


Responses

  1. […] Divina. Para ilustrar esta diferença foi apresentada a história do Missionário Baptista Adoniram Judson. Embora ele e sua esposa Ann Hasseltine Judson tivessem vidas exemplares diante do Senhor, imensas […]


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